zondag 6 december 2009

Aprendizado dos que se foram

Á sombra de muita veracidade, primeiramente conosco, como responderíamos se nos perguntassem se tocaríamos nossa dignidade por conforto e bens materiais ?? "É claro que não!", se adiantariam alguns. Outros concordariam com os primeiros acenando com a cabeça e enrugando a testa. Mas, se analisarmos, ainda á sombra da mesma arvore de veracidade, poderemos enxergar que o caminho trilhado pela grande maioria não vai diferente: troca-se preciosas horas de existência, na qual basta estar para ser digno, por devaneios que em nada operam a nosso favor.

Como falar em ser digno se sequer somos sinceros conosco, deixando sempre nossos anseios mais profundos serem dominados por modismo, vaidade, ou ainda, na maioria das vezes, MEDO. Medo de tentar o novo, o que não foi feito ou ousado por alguém. Raios! Oxalá não vivermos historias já vividas por outrem! Vivemos num momento singular (o que requer atitudes singulares) jamais vivido por outra sociedade. Bonito? Não, apenas o óbvio. Levando esse aspecto em consideração temos uma poderosa arma para fazermos o que quisermos, apesar da pressão exercida pela nossa grande carga de valores e pré-conceitos culturais. Como observou bem Terrence McKenna, estudioso de substâncias alteradoras da percepção, algo que poderia ser traduzido por: “Acreditarmos numa coisa implica, necessariamente, não acreditarmos na possibilidade do seu oposto". Isso é o que mantém muitos estáticos no sofá tamásico da modernidade: a incapacidade de enxergar e considerar outras realidades possíveis senão essa á que estão presos pelos grilhões mentais.

Será possível negar que a dignidade esta sendo deposta em detrimento do conforto e ambição se levarmos á cabo a questão saúde? Se frisarmos o aspecto holístico de saúde que envolve as inúmeras instancia que não só a física, como o mental, emocional e outras faculdades menos expressivas por palavras, àqueles que responderam “claro que não”, no começo do texto, agora lhes faltaria o chão. O que assistimos no momento é a usurpação consentida da dignidade e integridade das pessoas que SE (não se deve retirar a culpa do sujeito como invariavelmente tenta fazer a sociologia, vitimando-o) escravizam pelo excitamento máximo dos sentidos, como o da visão, quando passam horas sentadas em frente a caixa maldita após jornadas de trabalhos dedicadas a comprar supérfluos. A permanência em si , o estar, nos centros urbanos é suficiente para nos impor enorme quantidade de impressões visuais , que sem o devido processamento se acumulam de forma danosa em alguma instância de nossas faculdades mentais. O que dizer então do excitamento que vemos do paladar, com toda a parafernália quimico-alimenticia que tem por fim a acentuação dos sabores possíveis? Estes e outros estímulos produzidos industrialmente têm por fim fazer com que seu cérebro "sinta vontade" de repetir esses altos graus de excitamento. Só que quando deixamos que nos roubem nossa saúde, nossa dignidade, pagamos um preço muito caro: em todas as classes, prinpalmente urbanas, se manifesta o que qualquer analise séria da sociedade e população chamaria de pandemia. E da pior doença: o vício dos sentidos. Piores ainda aqueles vícios que entorpecem não só os sentidos mas também o discernimento do ser. Porém o que observamos é uma exaltação ao consumo de uma substância extremamente danosa como álcool, idolatrado e mantralizado em inúmeras canções de repercussão contemporânea. Assim cabe a pergunta: por que cargas d'água é a única substância alteradoa da percepção que pode amplamente comercializada e consumida, enquanto outras bem menos danosas e potencialmente curativas continuam proibidas?


Como diria o Bessa: "A sociedade esta doente, simplesmente. As pessoas precisam de ajuda." Para ajudá-las precisamos primeiro nos curarmos. Só posso ajudar alguém se primeiramente sou capaz de me ajudar e ser o mais sincero comigo. Se não hajo com sinceridade aos meus princípios e vontades como poderei ser verdadeiramente sincero com o próximo a ponto de ajudá-lo?
Seja digno da oportunidade da probabilidade ínfima que é a de estar vivo, consciente. Tome as atitudes que já deveriam ser tomadas e mantenha-se saudável nos vários âmbitos da sua existência.
A morte repentina de uma pessoas mais ou menos próxima sucita o medo de sermos nós que fôssemos pegos , por forças casuais ou não, sem sequer termos começado a trilhar o caminho que realmente almejamos. Para o individuo que vive de acordo sincero com suas vontades e reais necessidades esse medo foi superado.


Que o irmão transcenda na mais tranqüila paz e serenidade !
Que vá para um plano melhor que esse!
Valeu Gabriel Café, que sejamos capazes de retirar algum significado da tua ida (ou não!)!


Guido Botti Zanello





donderdag 19 november 2009

Percepção da realidade e co-criação


Texto surgido da troca de correspondencias feitas a uma amiga.


Até que ponto somos seres dotados de liberdade tanto de escolha como de influência? Qual o limiar do quão influentes somos sobre outras pessoas e o quão somos influenciáveis? Acho nao ser possível encontrarmos resposta plena senão aceitarmos que o "eu" que tanto decide e cria realidades distintas também é determinado pelo coletivo. Então , temos tanto uma realidade coletiva criada/influenciada por muitos "eus" quanto o "eu" inlfuenciado/criado pela realidade coletiva; falamos então do que pode ser chamado de co-criação. Vivemos, pois ,uma realidade co-criada.

O que você deseja não necessariamente é determinado pelo coletivo mas é, no mínimo, influenciado por ele e o seu querer terá influência no coletivo. Mesmo quando se nega esse coletivo ele esta exercendo influência , pois negar um objeto implica que este seja necessariamente criado, assunto já discorrido por inúmeros filósofos e milenarmente conhecido nas filosofias orientais. Uma vez o objeto criado, passa a exercer influência , ainda que em escala mínima. Talvez por isso quando lutamos para estarmos livres de dogmas eles naturalmente são criados e se tornam mais impregnados no ser a medida que lutamos contra.
Por isso numa busca maior o sentido deve ser concentrar-se no processo e não num fim específico passível de finitude. Não me concentro em criar uma comunidade e sim no processo de criá-la, ou melhor, co-criá-la. Mesmo que um dia haja duas ou mais gerações estabelecidas no local o fim não terá sido alcançado. Todas essas pessoas que ali viverem serão diferentes dia após dia, nunca atigindo um fim estável, finito. A busca não é por uma conquista final, algo como um troféu a ser guardado na estante.
"... parte nunca é parte se realmente não tivesse o todo.". Então o indivíduo só é indivíduo se houver coletivo, certo? É por isso que acredito que na busca para ser um ser mais completo o coletivo é imprescindível. E viver em comunidade, portanto inserido em um coletivo,significa constante embate dos diferentes "quereres" e realidades co-criadas. É aí , surgido desse embate constante, que passamos a compreender, ainda que em porporções desprezíveis, a realidade que o próximo co-criou. Isso, aliado ao uso de enteodélicos e práticas meditativas , provoca a expansão real da conciência.
Expandir a conciência é em si, não o olhar por cima da bolha e sim por cima, por dentro, por baixo, através , do avesso etc. enifm, ser capaz de levar em consideração sincera outras formas de raciocínio advindas de outras realidades co-criadas.
Viva o processo!

De volta á atividade mental

Ao viajar pela Europa em 2007 , por propriedades de produção orgânica, algumas delas cooperativas , comunidades, ecovilas etc obtive um tempo de muita inspiração no qual tive a oportunidade de registrar em forma textual algumas reflexões. Agora, depois de tentar um retorno em vão á vida acadêmica (como poderia após uma expansão da mente?) e de passar um tempo num instituto de permacultura em Ubatuba-Sp, passo a residir na zona rural de Rio Pomba aonde estou fixado entre indas e vindas há três meses. Atualmente estamos desenvolvendo a criação de um instituto de carater politico-ambiental-espiritual numa terra de aproximadamente 50hectares. Sítio esse que me proporcionou até o presente momento, inúmeras outras reflexões, que faz com que volte a re-utilizar este blog. Espero que gostem dessa nova fase de insights. Divulguem se por interesse convir.
Guido Base