donderdag 25 oktober 2007

Questao de Concepcao

A questao do que é necessidade basica, passa como muitas outras situacoes, pela circunstancia envolvida de disponibilidade de recursos e conhecimento.
Quanto mais alto, nao qualitativamente mais quantitativamente, é o conceito de necessidade basica, mais impactos provocamos num ambiente global, que ja se encontra mais que adoentado.
Essas diferentes realidades respondem ao sistema capitalista de maneiras diferentes :. Logicamente que o impacto gerado se da em diferentes intensidades. Nao podemos observar o capitalismo mirando somente na parte mais forte da corda temos que tentar enxerga lo tambem no lado fraco para entendermos um pouco mais.
Estou trabalhando ilegal num restaurante junto com mais dois : Paul, o dono , cozinheiro alcoolatra e explorador e Christopher, pai de famila e obcecado em ganhar sempre mais, pois segundo ele nao leva uma vida com suas necessidade basicas atendidas. Estava sempre a se queixar que tinha que trabalhar e que a vida na Belgica nao eh nada facil. Ja vacinado deste tipo de comentario por aqui, ja indentificava que era puramente concepcao do que eh necessidade basica. Recebemos uma ordem do Paul : tinhamos que carregar o carro de tralhas e teriamos que leva-lo a um cerimonial aonde se daria a festa mas antes passariamos na casa de Christopher pra pegar roupas de gala pois iria ser o garcom da noite e eu de faz-tudo escondido na cozinha sem mostrar minha cara de latino-americano mal vestido. Quando chegamos a casa dele me deparei com uma casa que era de tal humildade que estava a altura de comparacao com qualauer casa dos bairros mais caros de qualquer grande capital brasileira. Me ri por dentro. Nao porque nao reconheco que trabalha se muito (verdade que no brasil as condicoes sao bem piores, mas porque o vejo completamente cego acreditando que nao leva uma vida sossegada. Quanto mais tem , mais quer ter. Nunca se satisfaz. Quanto mais se aproxima dos padroes ditados pela cultura globalizada mais se assemelha a esse tipo de insastifacao.
Nesse enredo de estar sempre buscando mais, acumulando mais, para satisfazer suas necessidades creditadas como ‘basicas’ vai indo num caminho que parece nao ter volta, fica cego e passa nao enxergar outras alternativas. Raciocinando, na melhor das hipotese o cidadao que cultiva esses valores ficara rico (financeiramente), o que nao é nenhuma garantia de realizacao pessoal ja que se busca um objetivo seguindo uma logica de ‘sempre mais’ para se satisfazer. Resultado dessa moqueca de incongruencia : insatifacao na certa, falta de tempo para a familia, problemas conjugais e com filhos. Alem dos problemas de saude derivados do corre-corre e dos lanchinhos rapidos e mortiferos. é sabido por dados da OMS que a depressão é um sério problema de saúde pública, e será, em 2020, a primeira causa mundial de invalidez, a seguir às doenças cardiovasculares e ainda que trinta por cento da população europeia já viveu uma depressão. Queremos ainda atingir o ‘le bien etre’ do Velho Mundo ?
Ha um tempo atras estive em Marselha e fiquei num apertamento que tinha um menino que estava entrando no correspondente ensino medio brasileiro. No primeiro dia de aula o mininote me volta com um lap top muderno que ocê tinha que vê. A escola dizia que era uma ferramenta essencial, basica como se fosse um lapis na mao de estudantes brasileiros, entao cumpria seu papel de instituicao educacional e dava um ‘lapis’ desses a cada estudante matriculado. Me lembrei na hora as praticas feita por organizacoes de pais em escolas publicas na tentativa de fazer ‘vaquinhas’ pra comprar um computador pra ser dividido por todos alunos . Logo em seguida veio flash daqueles politicos brasileiros bem chulos sorrindo ao lado de uma meia duzia de computadores recem doados pra aquela escola, quicà a mesma que ele desviou dinheiro. Me ri por dentro. Dessa vez para nao chorar.
Bom agora eu to Anwerpia e daqui vou a Caracas e depois ir migrando ate Vitoria ES. Vai ser bom ver o contraste entre o lado de quem esta roubando as nacoes que pagam por esse bem estar descofigurado e nao se satifaz, e o lado que paga por isso.

dinsdag 23 oktober 2007

Mais ou Menos Assim

As vezes fico muito tempo falanndo sozinho aqui na gringa que passo a achar que ja falei pra alguem das coisas que eu penso. Resolvi escrever:
Na minha cabeca idealizo um lugar projetado pra ser exemplo, nao a ser copiado e reproduzido, mas que mostre que outras formas de se viver sao possiveis. Formas estas de carater ecologico que chamaria de organico uma vez que tentamos nos aproximar do nosso estado mais fundamental, aquele que eh integrado com todas as entidades sejam elas vivas ou ‘nao vivas’. Tendo essa linha de pensamento eh indispensavel a interdisciplinaridade como carro-chefe.
As diversas experiencias contidas em cada elemento do grupo deveremos saber aproveitar de alguma forma e canalizar esse esforcos na producao e reparticao de conhecimentos nao so considerando um grupo de individuos fechado mas um grupo composto pela sociedade e a realidade nas quais estaremos inseridos.
Teremos em mente a transformacao de realidade local atraves de cursos gratuitos para a populacao local financiados por cursos ministrados a uma populacao de maior poder aquisitivo, vendas de produtos agricolas processados e no estado fundamental(somente se nao precisarmos para consumo proprio ou nao tivermos como processar), ecoturismo, financiamento publico e privado. Os cursos para as populacoes seriam os mais diversos como mostra de filmes, ecologia, engenharia adaptada a realidade, linguas, permacultura, economia,filosofia,sociologia, promocao de festas tradicionais e tudo aquilo que tivermos acesso e considerarmos importante para o fortalecimento da cultura local. Imagino um centro de referencia de criticas ao sistema vigente . No entanto, nao seremos meras criticas, como o que estamos acostumados a ver principalmente nos meios academicos, estaremos apresentando na pratica a nossa alternativa funcionando apesar de todas as pressoes que certamente sofreremos.
Estaremos voltados para os acontecimentos locais mas sem deixar de lado oq que se passa em outros lugares . Por isso relacoes com outras organizacoes e instituicoes sera de suma importancia e , para isso, temos uma ferramenta poderosissima em nossas maos que eh a Web, onde podemos fazer denuncias e buscar recursos , bem como divulgar nossas ideias e eventos e de abrir um espaco para internautas do mundo inteiro poderem achar respostas e ate quem sabe chegarem a concretizar contato direto vindo ate a nossa comunidade.
Minha ideia eh de um lugar que ao mesmo tempo luta pela tradicao cultural local esta aberto a vinda de todos aqueles que estiverem no objetivo de apoiar as causas por nos defendidas, nao esquecendo de pessoas estrangeiras. Para isso ja tenho em mente um site traduzido pelo menos em seis idomas que sera possivel a realizacao somente com as pessoas que ja estao envolvidas no projeto. Site esse que podera esta vinculado a universidades e organizacoes como a WWOOF( www.wwoof.org) para vinda de voluntarios.
Bom ideias de auto-suficiencia em tudo que estiver ao alcance sera produzida pela agroecologia , artesanato, marcenaria e outro. Bioconstrucao seria o embasamento para as construcoes e permacultura nosso espirito para os planejamentos.
Bom deve estar faltando muita coisa mas deu pra dar uma nocao do que eu penso. E lembrem-se isso nao somente um sonho fantasioso eh um sonho perfeitamente ao nosso alcance !!!
Ta dado o recado espero comentarios de todos que ainda nao se manifestaram por escrito.


ps; commo dito estas sao minhas ideias e que portanto estao de acordo ou nao com os demais cumpadres portanto sujeita a criticas . Por favor faca criticas , isso provoca evolucao de ideias.

woensdag 17 oktober 2007

Cuidado com os livros de geografia


Desde as aulas de Geografia sobre populacoes que tive , alguma coisa nao se encaixava na minha cabeca : sobre a Teoria Maltusiana . Dizia que nao estava certo porque gracas a Revolucao Verde e novas tecnologias aumentaram a eficacia do solo etc. Cuidado essa frase nao eh completamente verossimel. Primeiro , com a revolucao verde tivemos um maior aumento da utilizacao de insumos agricolas , que como ja sabido e verificado, causam perda de biodiversidade no solo ( intimamente ligado a fertilidade, no solo do Brasil, consequentemente, produtividade) . Causou como tambem ja sabemos , a concentracao acentuada de terras, que como sabemos produz menos alimento que as propriedades ditas comunitarias ou familliares. Passou se a usar maquinarios pesados, incompativeis ao solo brasileiro compactuando-o. A agricultura dita convencional vem nos mostrando ineficaz para sanar a fome no mundo , ja que nao faz uso adequado do solo, tirando dele menos alimentos para o consumo humano que o possivel e alem disso, esgota o solo que, em alguns casos, sao irrecuperaveis tamanha degradacao gerada.
Numa area X se produzirmos em metodo dito convencional colheremos por exemplo trinta por cento a mais de milho que numa propriedade de agricultura ecologica. Mas essa ultima tem sua producao diversficada por tanto num saldo total de alimento maior que a primeira. Sem falar nas perdas do solo como biodiversidade e da capacidade de armazenazenamento de agua.
Podemos citar tambem o exodo rural gerado e suas consequencias para fome.
Segue um link sobre uma ideia da produtividade e lucratividade, importante para a fixacao do pequeno agricultor no campo: http://blogvisao.wordpress.com/2007/06/11/lucro-com-a-agrofloresta/

dinsdag 2 oktober 2007

SONHO AMERICANO

23 de setembro de 2005 A VIDA NO IMPÉRIO Kathy Young: Relato de uma família pobre nos Estados Unidos


'' Tenho vários tarefas. Sou tutora de uma criança com necessidades especiais e tenho dois trabalhos de meio período, um num abrigo para gatos e outro no nosso negócio familiar, um escritório de contabilidade. Meu marido trabalha 100 horas por semana no nosso negócio. O último dia de folga que tirou foi há oito anos atrás. Não gozamos férias há mais de uma década. Dirigir um pequeno negócio ? no nosso caso, um escritório de CPA [1] ? significou conhecer de perto a situação financeira de uma ampla variedade de pessoas. Nossos clientes fiscais têm uma grande variedade de atividades e rendimentos, mas a maioria dos nossos clientes empresariais têm seus próprios pequenos negócios, tal como o nosso. Alguns dos nossos clientes estão prosperando, mas a maioria mal consegue manter-se solvente. E muitos, como nós, estão perdendo esta luta. A área onde vivo vem sofrendo uma recessão econômica há já muito tempo; os salários estão estagnados, os preços dispararam e as pessoas estão sofrendo. Perdemos muitos bons clientes, negócios que há muito sobrevivem à bancarrota e tivemos que substitui-los por outros clientes menores. Nós mesmos estamos lutando para permanecer no negócio, tentando desesperadamente aguentar a estrutura de vida de "classe média". Já ouvi diversas vezes gente da direita argumentar que ser pobre nos EUA é melhor do que ser pobre em qualquer outro lugar. Bem, quer saber? Ser pobre ? onde quer que seja ? dói. É uma dor visceral que permeia cada centímetro do corpo, a cada hora do dia. Assim, não estou realmente interessada em ouvir a pobreza nos Estados Unidos ser despachada só porque não vemos pessoas pobres mortas nas ruas. Além disso, mesmo esse dúbio parâmetro de avaliação não é mais "operacional" após o furacão Katrina. Não podemos pagar nossas contas até sermos pagos pelos nossos clientes. E, não surpreendentemente, as pessoas não esperam ansiosamente a chegada das contas dos seus contabilistas junto à caixa do correio. Somos os últimos a serem pagos, porque, ao contrário dos fornecedores, serviços públicos, bancos e governo, não podemos causar dano àqueles que não nos pagam. Eles, na realidade, não estão sendo deliberadamente negligentes. Tal como nós, eles estão à espera de serem pagos por outros. Por sermos trabalhadores autônomos, não nos qualificamos para seguro saúde em grupo. Como tenho uma ligeira "condição preexistente", fui "classificada" pela Blue Cross e a seguir por todas as demais companhias seguradoras. A maior parte virou-me as costas. A única que me aceitou tem a liberdade de cobrar o quanto quiser pelo seguro. E eles querem cobrar-me US$ 1.000,00 por mês. Devo pagar isso ou morrer ? essa é aparentemente a minha escolha. A liberdade, penso, apresenta-se de muitas formas nos Estados Unidos. Assim é a vida quando se é um dos "inesperadamente pobres". Você vai finalmente ao dentista quando até mesmo os analgésicos mais fortes pararam de fazer efeito contra a sua dor de dentes e ali ralham consigo por não ter vindo antes. Você tem vergonha de dizer porque não pôde vir antes. O seu lixo não é recolhido já há cerca de um mês, porque essa é simplesmente uma conta que terá de esperar. Você recusa todos os convites para ir a um café ou um almoço. Aquele é o dinheiro que terá de ir para o gás ou para comprar leite para a família. A ameaça de uma conta inesperada é esmagadora. Se o gato está letárgico, eu choro. Sei que deveria levá-lo ao veterinário, mas não consigo imaginar como iria pagar. Se o carro faz um barulho estranho, o teto tem goteiras (e ele tem mesmo, em muitos, muitos lugares agora), ou o trilho do portão da garagem está torto e precisa ser substituído, você tenta ignorar: você dirige devagar, põe baldes debaixo das goteiras e estaciona o carro fora da garagem. Ignorar coisas custa muita energia emocional, porque os problemas não deixam a sua mente ? eles precisam ser enterrados dia a dia. E então, como mortos-vivos, arranham continuamente para vir à superfície, cada vez mais barulhentos e raivosos ? mais ainda sem soluções. Você tenta pedir ajuda sem parecer desesperada. Você procura mais trabalhos temporários e de meio período, pede a outros para ficarem de olhos abertos para novos clientes e novas oportunidades e fica bastante tempo questionando-se. Você está trabalhando duro. Você está seguindo as regras. Mas continua perdendo. Por quê? Você assiste filmes com refugiados, daqueles que vivem em tamanha pobreza que estão literalmente morrendo de fome, e eles lhe dizem que você está relativamente próspera. E naturalmente está, se considerar esse padrão de medida. Mas será que ter os dentes em ordem deve ser considerado um luxo nos Estados Unidos? Quão baixo deveríamos aceitar que seja fixada a barra de aferição? Vergonha, raiva, depressão, desespero. Esses são companheiros constantes, e afloram constantemente à superfície em momentos inesperados. Talvez quando o telefone é cortado ? de novo. Ou então quando pregam na nossa porta a notificação de corte de fornecimento de água. Ou talvez quando aquele cliente que lhe deve US$ 4.000,00 telefona ? mais uma vez ? dizendo que só no próximo mês poderá efetuar o pagamento ? e você não pode dizer ao seu banco que espere mais um mês pelo pagamento da prestação do seu empréstimo. O desespero vem à superfície quando você não compra os remédios que o seu médico receitou porque necessita mais da eletricidade. Ou quando você desliga a sua secretária eletrônica ao receber amigos em casa, de forma a que eles não ouçam os seus credores deixarem mensagens furiosas. E viver dessa forma dá bastante trabalho, toma muito tempo, e também implica o fardo de um segredo. A vergonha é frequentemente a parte pior. Há milhares de humilhações e temores, ponderando, por exemplo, cada viagem de carro porque você já não se pode permitir outro galão de gasolina. É abastecer o carro com US$ 5 de gasolina de cada vez, e imaginar quanto tempo consegue fazer durar uma caixa de lenços ou um rolo de papel higiênico. Desespero é ter vários diplomas e 20 anos de experiência como CPA e pensar se você deveria ter ido trabalhar para o governo ao invés de tentar ter um negócio próprio. Não sei quanto as coisas irão ficar piores e nem por quanto tempo poderemos aguentar seguir neste caminho. Estamos procurando ativamente uma saída, e temos feito isso já há algum tempo. Porém, como sabe qualquer um que tenha enfrentado essa longa espiral de endividamento, encontrar uma saída não é algo simples. Com a morte da Arthur Anderson [2] e a terceirização de diversos serviços de contabilidade, como o tributário por exemplo, o contabilista já não é um profissional bem pago como costumava ser ? e empregos mais diversificados estão mais difíceis de encontrar. Não sei muito em relação ao "grande quadro" da economia, mas isto eu sei: Se pessoas como nós estão perdendo esse jogo, então há algo errado com as regras, pois nós as cumprimos rigorosamente ? e mesmo assim acordamos todos os dias tensos e amedrontados. E ansiosos por um caminho melhor. Não sei o que isso significa para o nosso negócio e para a nossa família, mas sei que estamos cansados desta versão do sonho americano.

[1] Contabilista público certificado (Certified Public Accountant). [2] Grande empresa de auditoria e contabilidade que foi conivente com as falcatruas da Enron.

Kathy Young é um pseudônimo usado pela autora para proteger a privacidade da sua familia