http://www.youtube.com/watch?v=q9esNX7bzHY
Esse vídeo é uma denúncia grave, mas nada nova.O pior foi ouvir algumas coisas como "esses índios são nossos"; "não deixaremos que a imprensa internacional use isto contra nós"; ver o prefeito de camisa pólo, ir lá e defender os interesses da oligarquia. Ver os latifundiários, de carrinho pã-pã-pã, tirarem sarro da justiça e do poder.Impressionante como a oligarquia nunca deixou de ter poder sobre seus currais. Em nenhum momento da história existiu uma política realmente justa que reconhecesse os abusos dessa classe e que, mais ainda, fizesse jús àquilo que preza a maioria: democracia. Deveríamos ter a consciência que esta realidade infame é produto de um povo que não luta por seus direitos, de um povo cheio de comodismos, que se contenta com a política do Pão e Circo que nos é oferecida como "cala-boca". Assistimos, dia-pós-dia, a impunidade e ironia daqueles que se beneficiam do nosso sistema político falho e, o pior, isto acabou por se tornar tão corriqueiro que chega a ser banalizado com frases como "vai dar pizza", ou "eu já sabia". Por 507 anos estivemos sujeitos à doutrinas que pregavam o diferente como algo abominável. O abominável só o deixa de ser depois de muitos anos, quando já estamos acostumados com ele. O negro era um abominável e 'só deixou de o ser' depois de 300 anos. Religiões diferentes do catolicismo 'eram' abomináveis até pouco tempo atrás. (percebam o uso das aspas nas palavras, pois não posso deixar de ser irônico). E hoje em dia? O que podemos dizer do Comunismo? Das idéias ecológicas que denunciam a realidade catastrófica que o nosso estilo de vida está nos encaminhando? Há, por acaso, algo que seja contrário aos que se mantêm no poder que não seja abominável?
Se tudo que é diferente do capitalismo é considerado perigoso, podemos ter uma noção de o porque de idéias como ecovilas e comunidades auto-sustentáveis serão algo de difícil implementação. Digo difícil, não impossível. Pois, em primeiro estágio, quando ouvimos falar de comunidade auto-sustentável, temos a imagem produzida de um monte de barbudos com faixas na cabeça e cabelos longos vivendo em ambientes primitivos sob os preceitos do paz-e-amor. Mas logo que nos aprofundamos, buscamos informações, levamos um baita choque pois é totalmente diferente daquilo que imaginávamos. As técnicas de construção não têm nada de atrasadas, a alimentação é extremamente saudável, e o estilo de vida é bem mais aprazível. Tudo isso porque são idéias fundadas num racionalismo incrível. Ideologias que parecem mostrar aquilo que o homem realmente é, em sua raíz: sem maquiagem, sem conceitos inúteis, sem acúmulo de coisas desnecessárias, sem correria, sem crenças de que o homem é superior à todos os outros seres-vivos só porquê pensa, enfim, é quase o contrário da vida que levamos.Não ví e nem ouvi falar de uma única pessoa que, depois de conhecer essas idéias incríveis da permacultura, tivesse simplesmente virado o rosto e continuado sua vida, alheio à realidade. Mas afirmo que a implementação de uma consciência ecológica é muito difícil porque o dinheiro é extremamente sedutor. Poder comprar coisas novas e interessantes, poder controlar as variáveis (temperatura, tempo, lugar) da vida, poder controlar outras vidas... Isso mexe com o psicológico, faz pensar que somos superiores, que temos poderes infinitos. Aquele que já está seduzido pelo dinheiro, pelo poder, pela ganância, dificilmente largará ou aceitará largar o estilo de vida que leva. E para tanto fará o possível e o impossível para que ninguém possa tirar isso dele: agirá pela política, irá unir-se à outros que também já foram cooptados; usará a opressão, descobrirá brechas no próprio sistema criado por ele para poder subjugar quem não teve oportunidade de comprar outras vidas e nem fazer as próprias leis; matará aquele que não puder ser calado e comprará, novamente, a sua liberdade. Por fim, este homem terá em uma praça um busto com seu nome e sua imágem, com inscrições que exaltam tudo aquilo que ele não foi.
eh dicotiledôneas
Rafael Mantega
*as ideias de outros autores nao refletem necessariamente as ideias do postmaster deste blog